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De cadeira de rodas, Beth Carvalho canta ao lado de Zeca na festa do Cacique

Publicado em 22 de janeiro de 2011

O Dia
Rio – Há dois anos longe dos palcos por causa de problemas na coluna, Beth Carvalho emocionou o público que lotou a quadra do Cacique de Ramos, nesta quinta-feira, durante a festa de 50 anos da agremiação. De cadeira de roda, a cantora esbanjou simpatia e relembrou grandes sucessos do samba ao lado de Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e dos integrantes do Fundo de Quintal.


Beth Carvalho e seus afilhados-| Foto: Anderson Borde


História de glórias
O ano era 1977 quando Beth chegou à quadra na Rua Uranos levada pelo amigo e jogador de futebol Alcir Portela. Às quartas-feiras, após a pelada, acontecia uma roda de samba já consagrada no subúrbio carioca. “Era um som novo de samba, do Fundo de Quintal amador. Fiquei impressionada com o talento, o suingue e a forma de tocar instrumentos novos. O banjo com afinação de cavaquinho foi invenção do Almir Guineto, o tantã foi criado pelo Sereno, e o repique de mão, pelo Ubirany. Fiquei encantada a ponto de procurar casa em Ramos para morar. Só ia em casa para dormir. Só queria sair para conhecer aqueles pagodes maravilhosos”, relembra Beth, que, depois de cinco anos, voltou, a convite de O DIA, à quadra do bloco, agora renovada.

Quando conheceu o Cacique, a cantora, depois de um ano de ‘imersão’, lançou ‘De Pé no Chão’ (1978), com o hit ‘Vou Festejar’, de Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias. O álbum teve ainda as fotos da capa e da contracapa feitas na quadra do Cacique. Foi naquele quintal, aos pés de uma frondosa tamarineira, que Beth viu pela primeira vez Zeca Pagodinho versar.

“Ele chegou com um cavaquinho numa sacola de supermercado, chinelo de dedo, e eu falei: ‘Deixa eu ouvir que esse cara é bom’. Eles eram muito rígidos, não era qualquer um que chegava a cantar. O Zeca esperava a vez dele”, conta a madrinha, que ali decidiu gravar a música ‘Camarão que Dorme a Onda Leva’, da autoria do sambista.

Aliás, o que não falta à tamarineira é história. Reza a lenda que quem for lá, se tiver talento, ficará famoso. “Minha mãe, Conceição, foi uma das primeiras filhas de santo da Mãe Menininha do Gantois. Ela colocou um preceito aqui dentro da árvore, que quem viesse com um dote seria identificado e se tornaria uma pessoa famosa”, explica Bira, que viu sair de lá para a fama a repórter Gloria Maria, então primeira princesa do bloco, quando foi descoberta em uma apresentação do Cacique no Programa do Chacrinha, e Emílio Santiago, que começou a cantar por lá.

O bom da vida é ‘caciquear’

Em seus primeiros desfiles, o Cacique saía por Ramos e se concentrava na Rua das Missões, hoje Rua Nossa Senhora das Graças, junto ao bar frequentado por Pixinguinha e João da Baiana. Em 1973, começou a sair na Av. Presidente Vargas, onde concorria com o Bafo da Onça. Depois, foi crescendo, a ponto de engolir o Bafo, em 1978, quando saiu com mais de dez mil componentes. “Somos o único bloco que desfila os três dias na Rio Branco. E estamos voltando àquele tempo. Nesse Carnaval já estamos com cinco mil componentes”, avisa Bira.

Não foi à toa que Noca da Portela criou um verbo na música ‘Caciqueando’. “Caciquear é uma vida. É tudo que eu e muitos outros fazemos há 50 anos, curtindo o convívio carnavalesco e social. O Cacique deixou de ser só Carnaval para ser evolução do que chamam vulgarmente de pagode. A gente nem pode chamar de pagode o que acontecia aqui, virou um gênero, mas pagode é reunião de pessoas”, observa Ubirany, que ao lado do irmão Bira e de Sereno são os únicos remanescentes da formação original do Fundo de Quintal.

“É qualquer coisa de espetacular ver esse aniversário do Cacique, que é uma identidade cultural, espaço de resistência. Graças a Deus, aqui o portão é aberto, todo mundo que vem aqui, brinca, curte. A escola de samba é muito bonita, mas, hoje, ela dói no bolso. Deus conserve esse bloco, porque ele é alegria do Carnaval”, resume Sereno, que, ao lado do filho André Renato, compôs ‘Cacique, a Consagração’, faixa do novo CD do Fundo de Quintal, ‘Nossa Verdade’.


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